Johnny vai à Guerra, de Dalton Trumbo: a obra que deu origem a One do Metallica

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LIVRO: Johnny got his gun | Dalton Trumbo | Relume Dumará | 225 páginas | Quotes |
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FILME: Dalton Trumbo | 1971 | Com Timothy Bottoms (Joe Bonham), Kathy Fields (Kareen), Marsha Hunt, Donald Sutherland (Jesus Cristo) 
"Há uma porção de leis para proteger o dinheiro da gente mesmo durante a guerra mas não há lei alguma dizendo que a vida de um homem lhe pertence."
Minha história com Johnny vai à Guerra começou como deve ter acontecido com muitos: assistindo ao clipe de One do MetallicaCuriosíssima acerca do jovem soldado mais morto que ferido de guerra, não sosseguei até encontrar o livro (esgotado) pra comprar. Achei usado no Mercado Livre e não me arrependi. Tudo começa com a edição linda da Relume Dumará.
A história é delicada e começa quando Trumbo põe um soldado da Primeira Guerra Mundial na pior situação que pode imaginar. Joe Bonham era um jovem comum, trabalhava, tinha uma namorada e problemas com os pais. Isso até surgir uma guerra. Como diz o próprio Trumbo "a Primeira Guerra Mundial começou como um festival de verão", o país convidava os jovens a glorificar e honrar sua pátria colocando outros países em seus devidos lugares.

    "É doce e honroso morrer pela pátria."

A inocência dos soldados, cheios de promessas de serem herois, é uma coisa realmente tocante. Só durante a guerra é que descobrem a realidade omitida (outro filme, Valsa com Bashir, expressa bem isso). Muitos morrem, muitos ficam feridos, alguns ganham medalhas que não valem mais do que o que perderam... Joe, porém, perdeu tanto a vida quanto o direito de morrer. Atingido, ele perde braços, pernas e rosto, no entanto não sofre dano cerebral algum. Joe fica, assim, condenado a vegetar num leito de hospital. A partir daí viajamos por suas memórias, delírios e sua obsessão por arranjar um meio de se comunicar com as outras pessoas.
 


 Apesar de ser do mesmo autor, do livro para o filme há algumas diferenças, mas sempre mantendo o tom. A narração de Timothy Bottoms (que interpreta Joe Bonhan) é perfeita: ora de suave rocordação, ora de revolta emocionante. E cá entre nós, segurar um filme que em sua maioria é em preto e branco, foca em alguém todo coberto, apenas com narração não deve ser fácil. Ficou lindo, lindo! E triste pra caralho.


Além dos aspectos "superficiais", Trumbo usa Joe para discursar inflamadamente a favor da vida e nos fazer refletir acerca de quão desnecessários e mentirosos são esses circos chamados de guerras. O capítulo 10, por exemplo, é um discurso revoltado sobre a luta sangrenta por palavras bonitas e promessas a favor da vida. Algo marcante tanto no livro quanto no filme é exatamente isso: você pode sentir as emoções do autor. Tanto a doçura  do capítulo em que Joe relembra o Natal da infância, quanto a raiva que  ele imediatamente depois expressa.

Emocionante e impactante. Uma das melhores obras que eu pude ter o prazer de ler e assistir. Se você tiver oportunidade, não desperdice-a, mesmo se não gostar desse tipo de livro. 


TRAILER DO FILME

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