Jogo da Velha, Malorie Blackman: o racismo de um jeito que você acha que nunca viu

16:28


Noughts and Crosses | 2001 | 460 páginas | Editora Galera Record
Callum é um Zero, um cidadão considerado de segunda classe em um sociedade governada pelos Cruzes. Persephone é uma Cruz, filha de um homem que deseja mais do que tudo se tornar Primeiro-Ministro da Inglaterra. Nesse mundo, os brancos Zeros e os negros Cruzes simplesmente não se misturam - e com toda certeza não se apaixonam. Mas isso é exatamente o que Persephone e Callum fizeram. Neste thriller chocante, Malorie Blackman, uma das revelações da literatura britânica, vira o mundo de cabeça para baixo. Negro vira branco, branco se torna negro, e somente um fato é certo: supor qualquer coisa pode ser fatal.


Comprei Jogo da Velha por R$4,90 numa promoção (veja aqui o IMM) e lendo a sinopse decidi que seria minha próxima leitura. E talvez o preço tenha colaborado pra que eu ficasse tão surpresa com a qualidade da história de Malorie.

Jogo da Velha é o primeiro livro de uma série onde o racismo é protagonista. Mas no universo (re)criado pela autora os brancos (zeros) são os oprimidos e os negros (Cruzes) os bambambãs opressores. A cor da pele é o que resolve tudo e quanto mais escura melhor. Alguma semelhança com o mundo real? Só tem uma diferença, né, aqui a história é ao contrário.

O que satisfaria todos os zeros e Cruzes que sentiam o mesmo que a mamãe? Países separados? Planetas separados? Que distância seria suficiente? O que havia nas diferenças para apavorar tanto algumas pessoas?

Infelizmente não é só ficção.
Malorie conseguiu fazer o que Henry, personagem de Beatriz e Virgílio do Yann Martel, queria: discutir História de um modo ficcional e completamente novo. Assim, sem pré-conceitos, as pessoas prestam mais atenção porque julgam não saberem nada sobre o que você está falando. E ela o fez com excelência! Talvez por ser formada em Cinema e Televisão, o ritmo do livro seja tão bom a ponto de você devorar as quase 500 páginas. Cheio de ação e pouco mimimi, a autora consegue criar uma história envolvente e personagens cativantes e ainda falar sobre o assunto pesado que é o preconceito racial.


Callum e Sephy, em uma versão teatral.

Há no enredo um quê de Romeu e Julieta nos protagonistas Persephone Hadley (13 anos, Cruz, filha do ministro do interior e rica) e Callum McGregor (15 anos, zero, filho da ex-empregada da família Hadley, pobre) são amigos de infância e se encontram apenas às escondidas, contrariando as famílias. A história é contada em capítulos revezados -e curtos- pelos dois. Ao longo do livro a injustiça os leva por caminhos diferentes, mas a vida os reúne de um modo surpreendente.


Comitê de recepção à primeira aluna negra numa escola de brancos. EUA, 1957. Saiba mais.
Comitê de recepção aos zeros (noughts) numa escola típica de Cruzes.
O livro vem reforçar como desprezar alguém pela cor é um pensamento estúpido, arcaico e, infelizmente, cultural. E de quebra você conhece uma história emocionante feita para pensar e ser devorada. Que venham os próximos livros!
__________
P.S.: Galera Record pisou na bola na revisão. Peguei vários errinhos no começo do livro. Mas a história é tão boa que na metade eu nem reparava mais.

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2 comentários

  1. Adorei o enredo, gente *-* Curiosérrima!!

    Bem, não sei se sou eu que to muito obcecada com Game of Thrones, mas o Callum teatral não é o Robb Stark? hsusauhsuahsuahs

    Resenha perfeita, mas isso já é de praxe por aqui, né ;)

    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse livro é ótimo e foi tão baratinho que eu nem acredito <3 E melhor: ainda consegui trocar o segundo livro da série! haha
      E não é que é o Robb Stark mesmo? hauha sou n00b, não vejo a série e só soube pq vc disse, huahau.
      Beijo e obrigada, Fer! *-*

      Excluir

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