"Bruna, isto já está acontecendo"

22:44



É bem provável que você tenha um escritor favorito. É mais provável ainda que você tenha uma banda favorita, aquela que você tem (ou tinha) posters na parede, cds e seu sonho é poder ao menos vê-los. Mas sabe quando você tem um escritor favorito que é como se fosse o músico/banda que você venerou na adolescência? Que se você encontrasse sairia tietando como se fosse o One Direction? Ou melhor, quando você pensa que as chances são tão remotas de se encontrarem que nem conta com ela? Mas essa chance aparece e você surta. Se você nunca teve essa sensação, é mais ou menos como aquela frase de O Pequeno Príncipe "se tu vens às quatro, desde as três serei feliz".


Soube no início de março, assim que saiu a programação da Biblioteca Pública do Paraná, que Ignácio de Loyola Brandão, estaria abrindo a temporada 2013 de Um Escritor na Biblioteca. Ok, ele poderia estar fazendo o que fosse aqui em Curitiba: lançando um livro, ou só dando uma passadinha no Bondinho da Leitura pra conhecer, eu sabia que estaria lá. E com essa promessa comecei a ser feliz desde esse dia.

A espera foi deliciosa. Assim como todo mundo faria, me preparei para um grande encontro. Assisti a entrevistas, li mais livros dele, pesquisei sobre alguns até que finalmente a noite chegou. Chegamos mais cedo e pudemos escolher os lugares à vontade, num auditório que logo estaria cheio. Essa foi uma noite cheia de vida. Ignácio realmente sabe viver. Ele sabe aproveitar o que está acontecendo e sabe transmitir isso a quem está por perto. Não foram raras as vezes que nós caíamos na gargalhada com ele e também não foram poucos os aplausos. Aplausos não por obrigação, mas por merecimento. Por agradecimento, até.

Foi uma noite tão mágica que a primeira vez que pude ficar frente a frente com ele não consegui dizer nada, haha. O Louie apenas pediu uma foto dele comigo. Mas na verdade eu nem precisava dizer nada mesmo, não queria perguntar nada, eu estava satisfeita em ouvir o que aquele homem achava necessário com a gente. Estava feliz pela oportunidade, por estar por alguns minutos dedicando minha atenção a ele e ele a mim, haha. Agora sei como é fantástico encontrar um ídolo e ele não fingir que você não existe!


As fotos tiveram qualidade ruim, mas os conselhos, ainda que implícitos já que como muitos ele detesta auto-ajuda, foram preciosos. E os momentos marcantes. No tempo destinado aos autógrafos, pude outra vez ter contato direto com ele. No meu exemplar de Não Verás País Nenhum, livro que encontrei há três anos na biblioteca da escola e se tornou meu livro brasileiro favorito, ele escreveu "Bruna, isto já está acontecendo. Beijo, Loyola."

Mal sabe ele que disse mais do que intencionava. Esta frase simples, remetendo ao horror da distopia que escreveu, teve também um significado maravilhoso para mim. Como seu personagem de Dentes ao Sol (seu livro favorito), eu já era e ficaria extremamente frustrada se nunca saísse do interior e fosse pra capital, viver/tentar a utopia. Desejava com todas as forças estar em uma cidade viva, onde as coisas acontecem, desejava viver uma vida cultural, ver coisas, conhecer mais e mais. E ele me chamou à realidade em que eu ainda estava meio perdida: Bruna, isto já está acontecendo. 

E está mesmo.

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