[Resenha] Cleo e Daniel, de Roberto Freire

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Cleo e Daniel (1967) | Roberto Freire | Brasil | 261 páginas | W7 Editores (Francis)/L&Pm Pocket  

Não sei quem são esses dois na verdade, mas serve de ilustração. 
Minha história com Cleo e Daniel começou quando li Bebel que a Cidade Comeu, do meu autor nacional favorito Ignácio de Loyola Brandão, que é amigo de Roberto Freire que escreveu Cleo e Daniel. Autor e obra foram citados em Bebel e eu fiquei louca pra ler. Acho que deu pra explicar... 

Assim como Bebel, Cleo e Daniel também foi lançado no fim da década de '60. Então eu passei o livro inteiro imaginando eles mais ou menos assim como na montagem ao lado. Cleo: linda, loira, sorridente, cheia de vontade de viver, questionadora, curiosa, ousada e inocente, o tipo de personagem feminina que eu adoro. Daniel: lindo, ruivo, melancólico, usuário de psicotrópicos (bolinha), distante, quase um hipster da depressão. 
Mas no filme de 1970, dirigido também pelo autor do livro, Roberto Freire, eles são assim:
Daniel cantando sou um 'amendobobo, yeah'.
Quer dizer, passei o livro inteiro imaginando eles assim é modo de dizer, porque os personagens título só aparecem lá pelas tantas na vida de Rudolf, o psicanalista que começa a nos contar a história. Sim, o livro começa em primeira pessoa com o típico psicanalista que precisa de um psicanalista. A vida dele está um caos e ele tenta afogar as mágoas no Resquiecat in pace, onde encontra outros personagens interessantes dignos de um clássico como Noite na Taverna só que um pouquinho menos sombrios. Muitas vezes a beleza com que Roberto escrevia e as histórias do Resquiecat pareciam um clássico nacional mesmo, porém mais fácil de ler. 

Quando Cleo e Daniel aparecem para ser estudados por Rudolf ele já está para fechar as portas do consultório, mas se apaixona pelos dois, por sua paixão e juventude. E a partir daí acompanhamos a trajetória dos dois, o choque de gerações entre eles e os pais, que causam as mais diversas situações. Pais conservadores acostumados a esconder seus podres batendo de frente com jovens permissivos sexualmente e que querem se descobrir e não seguir um manual de instruções criado por eles. Em uma época em que artista era marginal, homossexualidade era abominável e casos assim iam parar em hospitais psiquiátricos para tratamentos de choque. Aliás, sobre os hospitais psiquiátricos particularmente acho que o Paulo Coelho tem um livro muito bacana, o Veronika Decide Morrer.

É um livro super legal, muito bem escrito e a história dos dois juntos, fugindo da sociedade que os condenava é bastante sensível, mas sinto que me faltou algo pra aproveita, sentir mais o livro. Talvez conhecer mais a época em que se passa e foi escrito para entender o contexto. Talvez eu, hoje com dezenove anos, não tenha a maturidade que os jovens daquela época tinham. Tenho pena de não ter conseguido aproveitá-lo ao máximo e pretendo reler com mais conhecimento do Brasil da época. 

E aí eu deixo minha dica de livros nacionais como esse e o próprio Bebel que a Cidade Comeu para conhecer mais a sociedade brasileira. Assim como tantos falam que Jane Austen retratava tão bem sua sociedade, o fazem autores brasileiros da época. #ficaadica :)

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